[RESENHA #837] 1984 - GEORGE ORWELL


Sinopse: 1984 é um dos mais importantes romances de ficção científica do século XX. Publicada originalmente em 1949, poucos meses antes da morte do autor, George Orwell, essa sátira política ambientada em uma distopia futurista influencia a literatura até hoje. Nesta obra magistral, acompanhamos o drama de Winston Smith, um funcionário do Ministério da Verdade, parte do governo do superestado da Oceania ― que inclui as Américas, a Austrália, a Inglaterra e o sul da África. O estado totalitário comandado pela figura mítica do Grande Irmão controla todos os aspectos da vida de seus cidadãos. No entanto, Smith odeia secretamente o Partido e deseja se rebelar contra o sistema. 1984 foi escolhido pela revista Time como um dos cem melhores romances de língua inglesa e garantiu seu lugar como um clássico da literatura moderna. A obra se afirma como uma valiosa reflexão sobre os malefícios do totalitarismo. dição especial com brindes em todos os exemplares (dois postais e marcador de páginas). Texto integral com apêndice “Os princípios da Novilíngua”. Nova tradução assinada por Alexandre Barbosa de Souza, ex-editor da Biblioteca Azul, Cosac Naify e Editora 34. Capa e artes dos brindes especialmente desenvolvidas pelo artista plástico Carlo Giovanni.

Resenha/Opinião: 1984 sempre foi um dos livros mais cultuados de todos os tempos e ainda mais nesse ano com a enxurrada de lançamentos para todos os gostos e bolsos. A parte boa dessa história é que 1984 ainda vai continuar tendo uma disseminação literária por muitos anos. E nada mais merecido. George Orwell criou uma história atemporal, impactante e que não tem como ficar indiferente diante de uma obra tão genial.

Na primeira parte do livro, Orwell, através da visão de seu personagem Winston, nos mostra com detalhes como é viver sob o "olhar" do Grande Irmão. Com telemonitores por todos os lados, até mesmo um pensamento é captado pelo "Partido", que governa tudo e todos. Os sinais de rebeldia são mostrados aos poucos se mesclando ao ambiente bastante opressor e entediante.


Winston leva uma vida como a de quase todo mundo que é "dirigido" pelo "Partido" tendo hora para acordar, fazer exercícios de acordo com sua faixa etária, hora de trabalhar, hora de ir para casa, hora para dormir entre muitas outras coisas que são impostas pelo "Partido" em nome do bem estar do cidadão comum. Trabalhando para o bem do "Partido", Winston faz parte do grupo que "altera" o passado e, isso, quantas vezes forem necessárias para que tudo fique de acordo com as diretrizes do "Grande Irmão", o chefe máximo.

Qualquer pessoa pode deixar de existir a qualquer momento e quando digo deixar de existir, significa que ela NUNCA existiu, pois todo e qualquer vestígio de tal pessoa é apagado e incinerado até não sobrar mais nada que indique que aquela pessoa sequer nasceu, quanto mais ter existido.

A rebeldia de Winston é apresentada de uma forma tão simples para nós leitores, que até parece um exagero, mas assim que você se familiariza com a opressão, o controle e o medo, percebemos que Winston pode deixar de existir a qualquer momento; mas, apesar de saber que é errado, Winston continua e ainda vai além e é nesses parâmetros que ele conhece Julia, uma mulher que esconde muito mais do que se pode imaginar, nesse ponto, Winston acaba entrando em um caminho sem volta.
 

Orwell, em 1984, não deixa o leitor um minuto sequer sem aquela sensação de que algo vai acontecer, aquela sensação de que sempre estamos fazendo algo errado e que podemos ser pegos a qualquer minuto. É realmente impressionante o tamanho da carga emocional que ele nos apresenta em toda a trama desse livro icônico.

George joga na cara de todos, os grandes riscos que o totalitarismo apresenta diante de uma sociedade servil e passiva, além de toda a crítica social que é posta à mesa de uma forma excruciantemente verdadeira e brutal. Toda a inquietude e inconformismo também nos é apresentado através de Winston e Julia, que sabem o que pode acontecer com ambos, mas que não deixam de se apresentarem como oposição ao governo e toda suas bizarras mentiras e acertos históricos falsos e maquiavélicos.
 

Talvez, o mais terrível em 1984, seja a grande possibilidade de uma sociedade como essa vir a existir se colocando no poder com o falso slogan de estar fazendo o melhor para os seus cidadãos. No mundo de hoje, não duvido existir grupos de pessoas que acham satisfatório um regime totalitário como esse. Por isso, 1984 nunca vai deixar de ser atual, seja em qualquer época, e isso, é sim aterrorizante.

Como todo poder totalitário, a violência é um dos pilares para se manter ativo e comandando e Orwell faz questão de mostrar essa violência da forma mais completa e brutal possível na forma de tortura física e emocional de uma foram tão impactante que nos deixa quase sem palavras. A inteligência da trama nos dá medo a todo momento, pois a grande maldição do leitor envolvido é sempre se colocar dentro da história, e essa, não é uma história que nos traz muita alegria de sermos assim.
 

George Orwell foi um escritor brilhante e juntamente, isso só para citar dois exemplos, com "A Revolução dos Bichos", 1984 nos arrebata de uma forma devastadora. Ele nos obriga a refletir, diante de tantas intempéries da trama, se o caminho que a humanidade está seguindo não vai nos aniquilar ao invés de nos perpetuar. Também demonstra a todo momento a fragilidade da vida e a importância de nossas decisões, assim como suas consequências.

Acredito todos deveriam ler pelo menos uma vez na vida essa obra tão importante para a humanidade, sim, humanidade, pois 1984 é uma lição de como as coisas podem ser, dependendo das escolhas que fizermos em prol da nossa sociedade. 1984 de George Orwell, publicado pela editora Via Leitura não é absolutamente I.M.P.E.R.D.Í.V.EL mas sim, O.B.R.I.G.A.T.Ó.R.I.A.


Autor: George Orwell (1903-1950) foi escritor, jornalista e ensaísta político. Nascido na Índia, ainda sob o domínio britânico, cresceu na Inglaterra, no interior de Oxfordshire. Já na infância, compunha poemas e sonhava em tornar-se um escritor famoso. Depois de concluir seus estudos, alistou-se na Polícia Imperial Britânica. Serviu na Birmânia de 1922 a 1927, quando retornou à Inglaterra. Nessa época, decidiu pedir demissão da polícia e dar início à sua carreira de escritor. Entre 1928 e 1929, morou em Paris, período em que escreveu contos e romances que ninguém queria publicar. Ele os destruiu todos na mesma época. Somente a partir de 1934 passou a viver com a renda proporcionada por seus escritos. Filiado ao Partido Operário de Unificação Marxista, lutou na Guerra Civil Espanhola em 1939. Na ocasião, um ferimento a bala danificou suas cordas vocais, prejudicando de modo permanente a sua voz. Morreu em Londres, em 1950, de tuberculose, aos 46 anos de idade.


Ficha Técnica:
Título: 1984
Autor: George Orwell
Tradução: Alexandre Barbosa de Souza
Editora: Via Leitura [Edipro]
Páginas: 96
Ano: 2021

ISBN: 9786587034201 

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