[RESENHA #839] O CORUJA - ALUÍSIO AZEVEDO

 

Sinopse: A Coleção Clássicos Ateliê dá a público sua edição de O Coruja, romance de Aluísio Azevedo. Uma história em que há algo de patético, trágico e alegórico. Trata-se de uma edição criteriosa quanto ao estabelecimento do texto do autor, com atualização mediante o Acordo Ortográfico de 1990. Notas editoriais foram acrescidas, sobretudo, em vista do leitor em formação. Um ensaio luminoso de Maria Schtine Viana antecede o texto da obra, esclarecendo aspectos críticos relevantes e inerentes à narrativa. Destaca-se também um posfácio com informações sobre a vida e a obra de Aluísio Azevedo com farta iconografia. Maria Schtine Viana atualmente é investigadora do Centro de Humanidades da Universidade Nova de Lisboa (CHAM-UNL) e membro do Instituto de Estudos de Literatura e Tradição (IELT-UNL). O volume se enriquece com as ilustrações do artista plástico Kaio Romero. Apresentação e Posfácio: Maria Schtine Viana Estabelecimento de Texto e Notas: José de Paula Ramos Jr. e Maria Schtine Viana Ilustrações: Kaio Romero

Resenha/Opinião: Escrito por Aluísio Azevedo e publicado originalmente em 1885 no formato de folhetim, "O Coruja" nos apresenta a história de dois rapazes, Teobaldo e André, esse último conhecido como o "Coruja". Órfão desde a infância, André é considerado um rapaz antipático e feio, mas apesar de não possuir qualquer característica física que salte aos olhos, ele demonstra ter um caráter ímpar.

Criado por um padre em sua infância, foi justamente nesse período ganhou a alcunha de "coruja" por ser esquisito e principalmente antissocial. Aliás, é na escola que ele conhece Teobaldo, um rapaz que tem uma vida completamente oposta a sua, pois Teobaldo é considerado bonito, rico e já viajou para diversos lugares. Contudo, essas diferenças físicas e sociais não impedem a aproximação dos dois e com o passar do tempo uma forte amizade surge e eles se tornam inseparáveis.


Com o passar dos anos e mesmo após saírem da escola, a amizade entre André e Teobaldo segue firme. O "Coruja" continua demonstrando os mesmo valores que apresentava na infância, ele continua demonstrando o seu caráter, seriedade e determinação. Por outro lado, Teobaldo também continua sendo uma pessoa mimada. Contudo, o destino costuma prega peças e com a morte de seus pais, Teobaldo para manter o status social que sempre teve, se vê em um beco sem saída, ele precisa se casar por "conveniência", ou seja, um casamento arranjado. É em Bianca que ele vê uma oportunidade de ouro, pois ela é filha de um importante Comendador, um homem de posses.

Após se casar com Bianca é esperado que o comportamento de Teobaldo mude, mas ele leva a vida do mesmo jeito, sem grandes responsabilidades. Enquanto isso, o Coruja leva uma vida modesta e precisa enfrentar algumas dificuldades em sua vida, o que inclui ajudar o seu amigo Teobaldo.

André ainda era considerado inferior pelas outras pessoas, só que na verdade, através de seus atos e condutas ele na verdade demonstra ser superior a todos aqueles que tem por ele desprezo, pois ainda que façam pouco de si, ele está sempre disposto a se sacrificar, bem como renunciar aos seus sonhos e vontades para ajudar aqueles que precisam, independentemente de receber algo em troca, pois na verdade tudo o que ele fazia era apenas para ajudar o próximo.


Apesar de ter conhecimento que o Aluísio Azevedo é um dos grandes nomes da literatura brasileira, bem como uma figura importante das escolas do realismo e naturalismo, até então eu nunca tinha lido alguma de suas obras ou pelo menos não me recordo de ter lido em minha adolescência livros como: O multado, O cortiço, Filomena Borges ou O coruja.

Ao longo da leitura eu fiquei cada vez mais fascinado com a construção dos personagens André (O Coruja) e Teobaldo, digo isso, pois desde o princípio da leitura até o término nós podemos nos aprofundar em cada um deles, acompanhamos de perto os seus pensamentos, sentimentos e ações. Outro fato interessante que cabe ressaltar é que eles são frutos das educações que receberam, mas também do meio social em que cresceram, tudo isso reflete no aspecto comportamental e na visão de vida que cada um apresenta.


Ainda sobre os personagens principais, é curioso que cada tem a sua luta interna para tentar mudar a sua própria essência. André é uma pessoa de coração aberto, é um ser humano humilde, mas em determinados momentos ele quer agir de forma egoísta e não consegue. Por outro lado temos Teobaldo, ele quer praticar atos de bondade para a sua esposa e seu amigo de infância, mas não consegue. Os personagens apresentados por Azevedo são únicos, eles são dotados de personalidades próprias, isso é algo que me agrada muito.

O Coruja é uma leitura reflexiva, nos faz pensar sobre temas importantes como a amizade, ambições, futuro, humildade, sonhos, as nossas relações com as pessoas que nos cercam, ou seja, é uma leitura enriquecedora. Eu particularmente achei a leitura bem tranquila, pois eu esperava uma linguagem mais complicada ou rebuscada, mas não foi isso que encontrei. Em suma, eu adorei a experiência de conhecer a escrita do Aluísio Azevedo e recomendo "O Coruja" para todos!


Sobre o autor: Aluísio Tancredo Belo Gonçalves de Azevedo (1857-1913) foi escritor, diplomata, jornalista e caricaturista. Irmão mais novo do dramaturgo Artur Azevedo, com quem escreveu alguns esboços de peças teatrais. Muito cedo revelou pendores para o desenho e para a pintura, dom que mais tarde lhe auxiliaria na produção literária. Estudou na Academia Imperial de Belas-Artes, no Rio, quando começou a trabalhar como caricaturista nos jornais O Fígaro, Mequetrefe, Zig-Zag e A Semana Ilustrada. Para sustentar a família, abandona os desenhos e começa sua carreira literária. Seu primeiro romance foi Uma Lágrima de Mulher (1879). Em 1881, em período de crescente efervescência abolicionista, publica o romance O Mulato, obra que deixa a sociedade escandalizada pelo modo cru com que desnuda a questão racial e inaugura o Naturalismo na literatura brasileira. É autor de vários romances de estética naturalista: O Mulato (1881), Casa de Pensão (1884), O Cortiço (1890) entre outros.

Ficha técnica:
Título: O Coruja
Autor: Aluísio Azevedo
Editora: Ateliê Editorial
Páginas: 552
Ano: 2021
ISBN: 9786555800050
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