[RESENHA #849] SATÍRICON - PETRÔNIO


Sinopse:
 
O mais antigo exemplar do romance latino a sobreviver até os nossos dias, ainda que de forma fragmentária, o Satíricon de Petrônio foi escrito por volta de 60 d.C., no período do imperador romano Nero. Narrando as aventuras de Encólpio, seu amante Ascilto e o servo Gitão, que formam um tumultuado triângulo amoroso e se metem em uma série de confusões para pagar uma dívida ao deus Priapo, o livro é uma grande sátira à caótica civilização romana, ao mesmo tempo em que registra de forma ferina as relações entre os diferentes estratos sociais da época. Imagem de capa: Bruce Nauman, Marching man, 1985, tubos de neon sobre painel de alumínio, 195,6 x 167,6 x 25,4 cm, Hamburger Kunsthalle, Alemanha.

Resenha/Opinião: Escrito pelo Tito Petrônio Árbitro entre 62 e 66 d.C, um cortesão, autor e satirista romano da época do Imperador Nero, Satíricon é considerado o primeiro romance já escrito (ao menos é o mais antigo romance latino que se tem notícia) e um dos mais polêmicos, tendo em vista que o objetivo do autor era ridicularizar a alta sociedade romana e o Imperador Nero. Mas a polêmica não reside apenas nessas críticas ou sátiras, pois o autor aborda a violência sexual e crimes diversos em seu enredo.

Em Satíricon acompanhamos as aventuras e desventuras dos amigos Encólpio, Ascilto e Gitão. Enquanto vivem um triângulo amoroso, o trio 
perambula pelo sul da Itália, mais especificamente nas imediações das cidades de Pompeia e Nápoles. Encólpio é um homem ciumento, possessivo, covarde e manipulador, ele é um golpista e vive pulando de cidade em cidade, pois acaba criando diversos inimigos por onde passa. É nessas andanças que Encólpio busca expiar, se redimir de uma ofensa que cometeu ao deus Priapo.


Gitão é um jovem de apenas dezesseis anos extremamente volúvel e dissimulado, além disso é objeto de disputa entre Encólpio e Ascilto, pois ambos querem o jovem para satisfazer as suas necessidades sexuais e sabedor de sua posição, Gitão aproveita a situação para obter vantagens de ambos. O grande problema é que a beleza de Gitão desperta atenção e interesse de outras pessoas, por isso o jovem é constantemente seduzido e Encólpio enfrenta algumas dificuldades para manter Gitão sobre o seu controle.

Satíricon é um clássico da literatura latina e para a sua época foi uma obra inovadora, tendo em vista as críticas tecidas pelo autor em face ao Imperador, mas também para sociedade de sua época. O autor tece críticas a vida luxuriosa e a corrupção presente na alta sociedade romana, mas também levanta aspectos sobre a ética e moral. Uma crítica interessante sobre a vida luxuriosa reside justamente no banquete promovido por Trimalquião, um ex-escravo que convida o trio para uma jantar em seu palácio. O ex-escravo tornou-se um homem extremamente rico e para compensar a sua vida pregressa ele acumulou bens que servem para ostentar a sua nova vida, o que de certa forma causa um embaraço ao meu ver.


Petrônio faz um do cômico e absurdo em sua narrativa, isso torna a leitura bem divertida ao meu ver. Contudo, em alguns momentos fiquei com a sensação de angústia, pois a obra é fragmentada, tendo em vista que muito se perdeu ao longo dos séculos e essa angústia ocorreu porque eu queria saber mais sobre a história em si, ainda assim o que sobreviveu demonstra que Petrônio criou um romance magistral. Aliás, pouco se sabe sobre o autor, mas esse deixou um legado incrível através de "Satíricon", pois por meio do seu livro podemos ter um breve quadro do que foi a sociedade romana.

A sexualidade é algo abordado por autor em seu livro. Ainda que naquela época o conceito de homossexualidade ou de heterossexualidade era praticamente inexistente, ao menos pela ótica que temos hoje, o sexo era tratado sem barreiras ou pudores, não tinha relevância alguma se o sexo era feito entre pessoas iguais ou não, não havia qualquer ligação ao gênero, o sexo era sexo e nada além disso, era feito tanto para procriação quanto para diversão. A questão da sexualidade no livro é apenas um elemento a mais que serve para enriquecer a obra de Petrônio, não era o foco principal.


Em suma, Satíricon foi um livro polêmico e inovador para a sua época, bem como repleto de controvérsias, inclusive serviu de inspiração para autores como Oscar Wilde e F. Scott Fitzgerald. Esse livro é simplesmente incrível e recomendo para todos que querem conhecer de perto da literatura latina e um pouco sobre o Império romano!

Sobre o autor: Petrónio ou Petrônio foi um escritor romano, mestre na prosa da literatura latina, satirista notável, autor de Satíricon. Não existem provas seguras acerca da identidade de Petrônio, mas acredita-se que se trate de Tito Petrônio Árbitro (Titus Petronius Arbiter), distinto frequentador da corte do imperador Nero. Seu prenome também aparece como sendo Caio em algumas fontes. Provavelmente era filho de Públio Petrônio, cônsul sufecto em 19 e governador da Síria entre 37 e 42.

Ficha técnica:
Título: Satíricon
Autor: Petrônio
Tradução: Cláudio Aquati
Editora: 34
Páginas: 224
Ano: 2021
ISBN: 978-6555250688
Onde comprar: Amazon

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2 Comentários

  1. Excelente resenha! Não me lembro de ter ouvido falar dessa obra. Fiquei curioso.

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  2. Eu tenho uma edição antiga desse livro, mas fico feliz que a 34 publicou Satíricon, pois esse livro é muito bom!

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