[RESENHA #892] A NÁUSEA - JEAN PAUL SARTRE


Sinopse: A náusea é o primeiro romance de Jean-Paul Sartre, considerado pela crítica e pelo próprio autor o mais perfeito de sua sempre inquieta e inovadora carreira. O protagonista desta história é o intelectual pequeno-burguês Antoine Roquentin, símbolo de uma geração que descobre, horrorizada, a ausência de sentido da vida. Em um diário, o personagem passa, então, a catalogar impiedosamente todos os seus sentimentos, que culminam em uma sensação penetrante e avassaladora: a náusea. Publicado pela primeira vez em 1938, o livro foi um marco na ficção existencialista e é até hoje um dos textos mais famosos da literatura francesa do século XX. Esta edição conta com prefácio inédito de Caio Liudvik, pós-doutor em Filosofia e autor de Sartre e o pensamento mítico.

Resenha/Opinião: Escrito durante cinco ou seis anos pelo filósofo francês Jean Paul Sartre e publicado originalmente em 1938, "A Náusea" é de fato o primeiro romance do autor e nessa obra ele nos apresenta ideias e elementos ligados ao "Existencialismo", corrente essa baseada na liberdade do ser humano, aliás, Sartre é um dos grandes nomes dessa doutrina filosófica.

Nesse romance acompanhamos a história de Antoine Roquetin, um historiador e pesquisador que está na casa dos trinta anos de idade. Roquetin por causa do seu ofício viajou pelo continente europeu, ou seja, visitou vários vários países e nesse período teve uma desilusão amorosa com Anny. Essas viagens serviram para o historiador visitar algumas bibliotecas e pesquisar sobre a vida do Marquês de Rollebon, tendo em vista que o seu objetivo era escrever a biografia dessa figura histórica que fez parte da corte do Rei Luiz XVI.


Após juntar as suas economias o historiador se muda para uma pequena cidade portuária fictícia localizada na França, Bouville. É justamente nessa localidade que Roquetin pretende escrever a biografia sobre a vida do aristocrata Rollebon. Com o passar do tempo Roquetin precisa enfrentar o isolamento e a solidão, desse momento em diante o sedentarismo ataca a sua vida e lhe produz "sensações" ou "estranhamentos", algo que ele passa a chamar de náuseas. Enquanto escreve a tão almejada biografia, Roquetin registra as suas impressões sobre objetos e pessoas que estão à sua volta na pequena Bouville. O grande problema é que ao mesmo tempo ele precisa enfrentar a solidão.

Apesar de possuir uma condição financeira segura e estável, Roquetin vê a sua vida perder sentido, pois todos os esforços intelectuais empregados na construção da biografia não são suficientes para satisfazer a sua alma ou aplacar a sua angústia. Os relacionamentos que Roquetin está envolvido são superficiais e sem amigos ele acaba imerso em profundas reflexões, algo que aos poucos acaba minando todas as suas forças para concluir o tão sonhado projeto literário, a biografia do Marques de Rollebon.


Esse foi o meu primeiro contato com a escrita de Sartre e fica claro que o seu livro é repleto de reflexões, algumas demonstram ser repetitivas, mas isso não foi algo que me incomodou ao ponto de desgostar do livro. Por outro lado, essas reflexões são densas e realmente nos levam a pensar sobre diversos aspectos de nossas vidas. Algo que talvez possa incomodar os leitores reside no fato de que no livro há poucos diálogos, cenários e cenas, pois há uma imobilidade exterior e isso contrasta fortemente com as reflexões e profundidades dos pensamentos de Roquetin. Outro aspecto sobre o historiador é que ele demonstra ser um tanto quanto pessimista.

Sartre ao longo da narrativa nos apresenta os personagens secundários e eles servem como pontos para novas reflexões por parte do protagonista. Anny é por exemplo é a mulher com quem Antoine Roquetin não teve sucesso no amor, mas ela em determinado momento quer reencontrá-lo, só que Roquetin não vê uma lógica, ou melhor, ela serve como um breve alívio para ele (uma aventura). Há um personagem interessante nessa obra, é o Autodidata: um homem que vive na biblioteca pública da cidade e tem por objetivo ler todos os livros da biblioteca, mas seguindo a ordem alfabética do sobrenome de cada autor.

Ao longo da leitura fica claro que Sartre foi de certa forma influenciado pela filosofia de Husserl, mas também pelos estilos de Dostoiévski e Kafka quando se trata da psicologia humana, bem como no pessimismo de alguns dos seus personagens. Ao meu ver esse é um livro extremamente reflexivo, melancólico, por vezes pesado e passível de diversas interpretações. Aqui o autor aborda um aspecto importante na vida de todo homem, o sentido da vida ou sentido da existência. Em suma, esse é um livro para ser refletido e discutido, mas principalmente foi um livro que me tirou da zona de conforto.


Sobre o autor: Jean-Paul Sartre influenciou profundamente sua geração e a seguinte. Foi um mestre do pensamento e seu exemplo foi seguido por boa parte da juventude do pós-guerra, nas décadas de 1950 e 1960. Sartre tentou ilustrar sua filosofia com ações traduzidas em diversos engajamentos políticos e sociais. Mais que qualquer outro filósofo, é necessário conhecer algo de sua biografia para captar o pensamento sartreano, um projeto desenvolvido em três horizontes: a filosofia, a literatura e a política.

Ficha técnica:
Título:
A Náusea
Autor: Jean Paul Sartre
Tradução: Rita Braga
Editora: Clássicos de Ouro (Nova Fronteira)
Páginas: 204
Ano: 2021
ISBN: 9786556401386
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