Sinopse: O Homem que Caiu na Terra tornou-se um verdadeiro clássico da literatura e uma das mais refinadas, sutis e delicadas ficções científicas já escritas. Publicado originalmente em 1963, ganhou reconhecimento em todo o planeta com a adaptação para o cinema dirigida por Nicolas Roeg em 1976. O filme também marcou a estreia de David Bowie no cinema encarnando o protagonista alienígena – para quem o papel parecia ter sido especialmente pensado (o que não foi o caso): um ser andrógino, impúbere, alto para os padrões terráqueos, delicado, magro, polido e que tenta se adaptar à vida terrestre para sobreviver entre os humanos.
Resenha: A presente obra foi escrita por Walter Tevis em 1963, recebeu uma adaptação cinematográfica que foi dirigia por Nicolas Roeg e estrelada pelo camaleão (músico, cantor, compositor, ator…) David Bowie e nesse ano de 2016 foi publicada aqui no Brasil pela primorosa Darkside Books.
Em O Homem Que Caiu Na Terra, vamos acompanhar a história de Thomas Jerome Newton, um alienígena escolhido pelo seu povo, que tem uma enorme facilidade em se adaptar, para vir para o planeta Terra, com o objetivo de conseguir meios para construir uma nave e resgatar o seu povo, que sofre séries dificuldades de se manter vivo no planeta Anthea, devido os recursos escassos.
Na leitura tomamos conhecimento do processo de aprendizagem de Thomas dos usos e costumes dos terráqueos, ainda em Anthea, ele assistia programas de televisão para que pudesse simular, copiar e aprender os gestos, idiomas e regras de socialização.
“(…) Andou por vários quarteirões sob a luz fraca, confuso pela estranheza do lugar, tenso e um pouco assustado. Tentou não pensar no que faria. Já havia pensado o bastante sobre aquilo até o momento.” p. 15.
Durante a trama somos apresentados para outras duas personagens, Betty Jo Mosher e Nathan Bryce, que vão intercalar a narrativa com os pontos de vista de Thomas. Betty é uma viúva que vive de auxílios do governo e Nathan é um professor de química, também viúvo e muito curioso.
Chegando ao planeta Terra, Thomas utiliza-se de seus conhecimentos e inteligência superior à dos humanos, tornando-se um empresário bem sucedido, criando inclusive diversas patentes tecnológicas, originais do seu planeta, isso o leva a se tornar conhecido, rico e influente.
“Quão sábias essas malditas crianças eram? Foi quando se lembrou do próprio papo-furado que declamava durante o ano em que tinha se formado em Literatura, quando tinha seus vinte e poucos anos: “níveis de significado”, “o problema semântico”, “o nível simbólico”. Bem, havia um monte de substitutos para o conhecimento e a sabedoria, metáforas falsas por todos os lados.” p. 42.
Diante dessas revoluções, aparece o professor Nathan Bryce, que intrigado com os avanços tecnológicos, começa investigar a empresa de Thomas Newton. Nesse meio tempo, Thomas através do convívio com os seres humanos, descobre a melancolia, o álcool, aspectos esses que começam afetar a realização de sua missão.
“(…) Às vezes, vocês nos parecem macacos soltos em um museu, correndo com facas, rasgando os quadros e quebrando as estátuas com martelos.” p. 162.
Opinião: O Homem que caiu na Terra é uma leitura super fluida. Walter Tevis traz uma linguagem simples e leve. A obra é do gênero ficção científica e tem uma temática filosófica e atual, pois trata de problemas comuns e cotidianos, como a melancolia e o uso do álcool.
O grande diferencial da obra é conhecermos a ótica de um ser alienígena (Thomas) sobre o nosso planeta, por ser estranho aos nossos usos e costumes, foi necessário se adaptar ao planeta Terra e com o tempo, acabou perdendo muito do planeta Anthea em si, algo que o deixa entre dois mundos.
Walter Tevis nos presenteia com um livro repleto de sentimentos como a solidão e o desamparo, reflexões e incerteza. Walter Tevis simplesmente descreve os pensamentos do personagem e alguns acontecimentos, não fazendo qualquer espécie de julgamento sobre condutas.
A presente obra foi escrita em um momento histórico importante do século XX, durante a guerra fria, onde reinava a disseminação do medo através da guerra fria, uma guerra psicológica, devido ao temor da possibilidade de uma guerra nuclear, que se de fato tivesse acontecido, teria colocado em cheque a existência da humanidade. Trata-se de uma leitura rápida e curta, mas longe de ser rasa. Mais do que recomendo a leitura dessa obra de Walter Tevis.
A edição do Homem que Caiu na Terra é de fato uma das mais bonitas e bem feitas que pude ver da Darkside Books entre os lançamentos de 2016. A obra possui cores fortes, capa com David Bowie, um projeto gráfico lindo.





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