Título: Os Pássaros
Autor: Frank Baker
Editora: Darkside Books
Páginas: 304
Ano: 2016
ISBN: 9788566636437
Onde Comprar: Amazon – Saraiva

Sinopse: Você conhece o filme. É um dos maiores clássicos de Alfred Hitchcock, de 1963. Nos créditos, consta que a história é baseada no conto “Os Pássaros”, de Daphne du Marier, escritora que o mestre do suspense já havia adaptado antes. Quase trinta anos após seu lançamento, o romance de Frank Baker ganharia repercussão quando o autor ameaçou processar Hitchcock e Daphne Du Maurier. Para deixar essa estranha coincidência com ares de plano macabro: Daphne era prima do antigo editor de Frank Baker, o inglês Peter Davies, e chegou a trabalhar com o parente. Pássaros. Milhares, talvez milhões, sobrevoam Londres, de forma aparentemente inexplicável e sem sentido, onde parecem observar os habitantes da capital, que os consideram divertidos, se tanto um pouco estranhos. Enquanto as pessoas ainda tentavam entender o que faziam ali, eles começam a atacar, ferindo e até mesmo matando com tremenda brutalidade e violência. Seriam eles uma força da natureza ou uma manifestação sobrenatural? Ninguém sabe. A única certeza é que o objetivo dos pássaros é a destruição da humanidade e ninguém tem ideia de como impedi-los… No ano em que se celebra os 80 anos da primeira edição, a DarkSide® Books orgulhosamente apresenta o livro Os Pássaros para todos os leitores e cinéfilos brasileiros apaixonados por um bom susto, um retrato sombrio e acurado de uma Londres pré-Guerra, como se Baker conseguisse vislumbrar o futuro próximo de terror e feitos inomináveis apresentado pela Segunda Guerra Mundial. A edição da DarkSide® Books, em Limited Edition (capa dura) é fiel à versão definitiva, revisada à mão pelo próprio autor, em 1964. “Os Pássaros” conta ainda com uma introdução feita por Ken Mogg, respeitado estudioso da obra de Hitchcock. Mais um livro imperdível da DarkSide®, editora responsável pelo primeiro relançamento de Psicose (2013), de Robert Bloch, no Brasil, depois de quase 50 anos.


Resenha: Em 1963 estreou nos cinemas o filme Os Pássaros, dirigido por ninguém menos que Alfred Hitchcock e, segundo ele, o filme foi baseado no conto de Daphne du Maurier. Porém, assim que a película foi anunciada, o escritor inglês Frank Baker enviou uma carta ao diretor, alegando ser de sua autoria e reivindicando uma compensação financeira, algo que nunca veio. Após o filme, o livro de Baker foi reeditado e vendeu mais do que as trezentas cópias da primeira edição.


A história é tem como protagonista um homem que não conhecemos o seu nome. Acompanhamos sua fase jovem quando era jovem e sua fase idosa quando conta os relatos de sua vida para a sua filha. Tudo começa em um belo dia na cidade de Londres nos anos de 1930, quando um jovem corretor e uma multidão de londrinos ficam curiosos com uma situação inusitada, um bando de pássaros (estorninhos) parados na principal praça de Londres e outros tantos pousavam na cidade. 


“Talvez eu seja o único homem vivo nesta ilha que se lembre dos pássaros. Muitos morreram naquela época; dos poucos que restaram, a maioria deve ter falecido desde então.” p. 35.


As pessoas com esse evento ficaram em uma euforia jamais vista, pois tudo aquilo era novo, acreditavam ser alguma encenação de um circo, Em pouco tempo porém, começaram a perceber que esses pássaros não eram qualquer tipo, pois em dado momento eles começaram a perseguir algumas pessoas. Não somente perseguir, mas também zombar a população, fazendo cocô em um líder alemão, perseguindo as pessoas em diversos locais, perturbando o papa, matando um executivo e muito mais.


“Eu estava oprimido, oprimido por algo inominável. Até mesmo o profundo azul do céu daquela noite, onde uma meia-lua se estendia como uma nuvem cortada, me parecia sem vida, com uma apreensão passiva de mudança.” p. 62.


Diversas tentativas foram feitas para refrear o ímpeto dos pássaros, um nobre ambicioso coronel com o seu batalhão tentou combater os pássaros, assim como os kamikazes japoneses, caçadores de elite, porém tudo em vão, aliás, tais condutas para matar Os Pássaros, só os tornam ainda mais agressivos e cruéis.


Mas não é só a relação entre homens e pássaros que é abordada pelo autor, pois Frank Baker nos tece um panorama sobre a sociedade de sua época, descrevendo a vida de Londres, abordando o cinema que era utilizado como uma fuga da realidade pela sociedade, a crescente utilização dos rádios, o fomento do capitalismo, aspectos que afetavam as pessoas. Os problemas não era somente esses, pois cada pessoa tinha um pássaro para segui-lá, algo que levou ao pânico da população, com algumas se suicidando.


Opinião: Primeiramente as obras Os Pássaros de Frank Baker e o filme de Alfred Hitchcock possuem algumas semelhanças, mas eu cometi um erro no vídeo unboxing de Os Pássaros ao comentar que o filme foi baseado na obra de Baker, na verdade foi baseada na obra de Daphne  du Maurier.

Voltando ao livro, Frank Baker nos traz uma narrativa mais pessoal, sendo interrompida algumas vezes pelos devaneios do protagonista e abusando de saltos cronológicos. O autor insere de forma clara e nítida o horror, muito no campo psicológico, pois existe todo um clima de impotência do ser humano diante da ameaça que o circunda, que se mostra em níveis de um apocalipse.

Algumas cenas de ataques são fortes e bem descritas. Baker cria todo um clima reflexivo, nos arrancando com unhas e dentas da zona de conforto, nos inserindo em uma zona permeada de angústia, terror e por vezes melancolia.


Frank Baker demonstrou uma visão crítica sobre a sociedade do seu tempo, descrevendo os usos e costumes, apimentando com doses de sarcasmos em relação ao modo fútil de vida adotado pelo europeu moderno, principalmente os britânicos. Baker desdenha das convenções sociais e religiosas impostas, bem como demonstra acidez em face aos avanços tecnológicos, o consumismo que se expandia já naquela época, além é claro de tratar sobre o tema sexualidade.

Eu particularmente gostei do livro, não posso dizer que é uma obra sensacional, mas é de fato uma obra muito boa, só não é sensacional pois eu esperava um tom mais macabro, por outro lado gostei muito das reflexões inseridas pelo autor. Baker nos conduz com primor em uma viagem através da alma do protagonista, que por sinal foi bem construído.


A edição é rica em detalhes, pois tem uma introdução em que faz análises sobre as obras de Baker, de Daphne e do filme do Hitchcock, ainda vem com notas da editora original e introdução do autor. Ao terminar a leitura da obra, temos ainda algumas informações sobre o autor.


O livro é edição em capa dura, com ilustrações marcantes. O livro tem uma marcador em fita de cetim na cor preta, assim como as laterais das folhas também são na cor preta. As fontes estão em tamanho confortáveis, existem notas explicativas no rodapé, as folhas são levemente amareladas. Essa edição está entre as mais belas na minha opinião. Deixo meus agradecimentos para a Darkside Books e sua equipe por ter me cedido gentilmente Os Pássaros de Frank Baker.