Título: Duna (Crônicas de Duna #1)
Autor: Frank Herbert
Editora: Aleph
Páginas: 680
Ano: 2017
ISBN: 9788576573135
Onde Comprar: Amazon – Saraiva
Sinopse: Uma estonteante mistura de aventura e misticismo, ecologia e política, este romance ganhador dos prêmios Hugo e Nebula deu início a uma das mais épicas histórias de toda a ficção científica. Duna é um triunfo da imaginação, que influenciará a literatura para sempre. Esta edição inédita, com introdução de Neil Gaiman, apresenta ao leitor o universo fantástico criado por Herbert e que será adaptado ao cinema por Denis Villeneuve, diretor de A chegada e de Blade Runner 2.
Resenha: Antes de começar a leitura de Duna, temos mensagens de dois grandes autores de seus respectivos tempos. Primeiro de Arthur C. Clarke, que expressa sua opinião sobre o livro de Frank Herbert da seguinte forma: “Não conheço nada que se compare a este livro, a não ser O Senhor dos Anéis”. Já Neil Gaiman, diz que “Duna é o melhor dos grandes romances de ficção científica e o que mais se manteve relevante”, o que apenas reforça a importância do livro de Herbert.
“Não terei medo. O medo mata a mente. O medo é a pequena morte que leva à aniquilação total. Enfrentarei meu medo. Permitirei que passe por cima e através de mim. E, quando tiver passado, voltarei o olho interior para ver seu rastro. Onde o medo não estiver mais, nada haverá. Somente eu restarei.” p. 26.
É nesse cenário de planetas e duques que existem as casas menores e as casas maiores ou Casas Nobres de Landsraad, estas últimas possuem riqueza e poder e é justamente nessas últimas casas que vamos acompanhar a saga de uma em especial, a Casa Atreides, liderada pelo influente Duque Leto Atreides, composta por sua esposa Lady Jessica, que é uma Bene Gesserit, integrante de uma ordem religiosa e política puramente feminina. As integrantes dessa ordem passam por árduos treinamentos físicos e mentais, adquirindo dessa forma habilidades especiais. Por fim, temos Paul Atreides o herdeiro de Leto e que recebeu os treinamentos de uma Bene Gesserit, assim como o treinamento dos Mentats que são conhecidos por possuírem grandes capacidades mentais, principalmente no campo da lógica.
Apesar da posição de destaque do planeta no Império Galático devido ao poder econômico da especiaria, percebemos que a vida dos Atreides não será fácil, pois eles encontram um governo sucateado e Leto ao governar Arrakis precisa lidar com outros problemas, com a possibilidade de traição, de invasão dos Harkonnen, com contrabandistas e principalmente com os Fremen, um povo sofrido e que viveu sob o julgo dos Harkonnen por um longo período e é nesse povo que Leto vê a possibilidade de criar uma aliança, pois eles conhecem melhor do que ninguém o planeta Arrakis. Além disso, são extremamente competentes e fortes no campo de batalha, algo que pode ser útil contra o Barão Vladimir Harkonnen. O Duque Leto desconfiando dos planos tramados contra a sua família resolve tomar medidas para proteger seu filho antes que o pior aconteça, porém os cuidados são em vão, já que a traição vem de onde ele menos espera.
“Leto voltou a olhar para fora. O sol branco estava bem alto em seu quadrante matutino. A luz leitosa realçava as nuvens de poeira fervilhantes que transbordavam para os desfiladeiros cegos entremeados na Muralha-Escudo.” p. 143.
Nesse cenário de traições, Paul Atreides sofre um atentado que por pouco não tem a sua vida ceifada e é pouco após o atentado que uma grande traição ocorre. É nesse momento que as Tropas Imperiais, os Sardaukar disfarçados em meio aos homens Harkonnen, aproveitam e arrasam todas as defesas dos Atreides na cidade de Arrakina, capturando o Duque Leto e assassinando grande parte das forças militares do Duque. Em face ao cenário calamitoso, Paul e Lady Jessica conseguem escapar em direção ao deserto onde são dados como mortos.
“O rosto dela perdera a cor, mas ela balançava afirmativamente a cabeça. Tudo ficou claro: os ramos partidos de significado que ela vira nas palavras e ações de todos que a cercavam naqueles últimos dias agora poderiam ser traduzidos. Viu-se dominada por uma raiva quase grande demais para refrear. Foi preciso invocar seu treinamento mais profundo como Bene Gesserit para acalmar-lhe a pulsação e tranquilizar sua respiração. Mesmo então, ela sentia o fogo tremular.” p. 202.
Vagando pelo deserto com seus trejestiladores (trajes especiais que reaproveitam a água desperdiçada do próprio corpo do usuário), Paul e Lady precisam conviver com as dificuldades como a falta de água e alimento, com a constante ameaça dos vermes. Também precisam se esconder dos ornitóperos, naves utilizadas pelos Harkonnen. Em meio à fuga, Paul e sua mãe, acabam entrando em uma caverna, onde são encontrados e cercados por um grupo de Fremen. É nesse lugar que Paul passa por sua primeira grande prova e depois eles são levados para o seio da sociedade Fremen, onde Lady Jessica e Paul Atreides novamente passam por outras provas.
Paul e Lady Jessica por meio das habilidades, treinamento e inteligência que possuem acabam conquistando posições de destaque na sociedade Fremen, além disso acreditam que a profecia torna-se realidade com a chegada de Paul, pois ele é visto como o messias profetizado há muito tempo, aquele que devolverá Arrakis aos seus dias de glória, aquele que levará os Fremen a deter o controle e poder do planeta. Paul Atreides passa então a ser conhecido como Paul Muad’did e ele deseja e sonha em recolocar a Casa Atreides no seu devido lugar, ao mesmo tempo precisará lutar pela independência dos Fremen, enquanto isso quer evitar um Jihad intergalática que ve em suas visões.
A ambientação de Arrakis é incrível, muito real e o autor consegue dar vida a todo um ecossistema gigantesco com descrições detalhadas e minuciosas, nos colocando em meio aos perigos do deserto com os trajestiladores. Outro fato que o autor é digno de receber elogios trata-se da cultura magnífica, fascinante e completa dos fremen que no final das contas mostra-se ser um povo sensato e repleto de sonhos que lutam contra todas as adversidades e durezas da vida para conseguirem um sonho único, uma Arrakis repleta de vida e água.
Duna é um livro grandioso, envolvente e fascinante, sem sombra de dúvidas trata-se de um dos melhores livros que já li e certamente está entre os melhores livros de ficção científica, bem como entre os melhores livros de todos os tempos. Eu assisti o filme Duna dirigido por David Lynch que foi adaptado para o cinema em 1984 e lembro de ter gostado bastante, porém não sei dizer porque demorei tanto para ler esse livro que me cativou e conquistou. Essa leitura, como diz o amigo Jeffa Koontz, é IMPERDÍVEL.
Sobre a Edição: A edição está espetacular, o exemplar é em capa dura e ao toque passa a sensação de ser emborrachado. A revisão ficou muito boa, a fonte está em bom tamanho, assim como o espaçamento. O livro conta com algumas artes que enriquecem o projeto gráfico apresentado pela Editora Aleph. Essa edição conta com introdução, apêndice e um glossário com terminologias que facilitam a compreensão do texto.
Sobre o Autor: Frank Patrick Herbert nasceu em 8 de outubro de 1920 na cidade de Tacoma (Washington), Estados Unidos. Herbert foi um autor de ficção científica de grande sucesso comercial e de crítica. Ficou conhecido pela obra Duna, e os cinco livros subsequentes da série. Arthur C. Clarke escreve que Duna foi “uma obra única de ficção… Não conheço nada comparável a ela exceto O Senhor dos Anéis.” Herbert recebeu o prêmio Nebula em 1965 com Duna e dividiu o prêmio Hugo em 1966.








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