Título: O Navio Arcano – (Os Mercadores de Navios Vivos #1)
Autora: Robin Hobb
Editora: Leya
Páginas: 864
Ano: 2017
ISBN: 9788544105474
Onde Comprar: Amazon – Saraiva
Sinopse: George R.R. Martin é um dos maiores fãs da literatura de Robin Hobb, que, no mundo todo, é uma das mais celebradas e cultuadas autoras contemporâneas de literatura fantástica. Em a “Saga do Assassino”, Robin Hobb retorna, numa nova trilogia, “Os Mercadores de Navios-Vivos”, ao universo ficcional conhecido como o Reino dos Antigos. Nesse primeiro volume, O navio arcano, Robb faz referências a clássicos como Moby Dick e Mestre dos mares para conduzir o leitor por uma aventura marítima repleta de magia, contando a história de um orgulhoso grupo de famílias que navega por mares bravios repletos de piratas e serpentes, a bordo do seu protagonista: os seus navios-vivos – embarcações raríssimas e mágicas feitas de madeira-arcana, capazes de adquirir vida própria. Com personagens muito bem caracterizados, tanto física quanto psicologicamente, Robin Hobb tece uma trama envolvente e complexa, que seduz o leitor a cada página.
Resenha: Escrito pela autora Robin Hobb, O Navio Arcano é o primeiro volume da série Os Mercadores de Navios Vivos. A autora nos leva a conhecer os mercadores de Vilamonte, eles são navegadores de primeira qualidade, o ápice para eles é possuir um navio-vivo acordado. Essas embarcações são feitas de uma rara madeira arcana que ganha vida após três gerações da família dona falecer no navio, é necessário que alguém do sangue da família esteja presente, esteja a bordo. Esse acontecimento faz com que a personalidade dos navios seja moldada pelos membros da família proprietária.
“Enquanto andava, tirou a mão do bolso e tocou o outro punho, distraído. Uma fina tira dupla de couro preto lhe fazia a volta, oculta pelo punho rendado da manga da camisa de seda branca. A tira prendia firmemente um pequeno objeto de madeira. O ornamento era um rosto entalhado, perfurado na fronte e no maxilar inferior para deixar passar a tira de couro, de modo que ficava acomodado contra o punho, exatamente sobre o ponto onde alguém encostaria para sentir a pulsação […]” p. 19.
A família Vestrit possui Vivácia, um navio de personalidade forte, característica comum dos membros da família Vestrit que morreram a bordo. Contudo, o navio despertou a pouco tempo e ainda demonstra ser uma embarcação insegura que está buscando o seu lugar nesse mundo. Nesse cenário conhecemos Althea, integrante da família Vestrit, ela é uma jovem que viveu a sua vida inteira no convés e nutre um imenso amor pelo mar, bem como pelo navio-arcano de sua família, chegando ao ponto de considerar o navio membro da família. A jovem navegante tem como sonho ser a próxima capitã do Vivácia, desejo esse que é compartilhado por seu pai Ephron Vestrit que leva sua jovem e promissora filha para diversas viagens pelo mar.
“Althea estava doida para tomar banho de água doce. Sentia cada músculo do corpo doer com o esforço de subir a escada até o convés, e a cabeça latejava depois de tanto tempo no ar carregado do porão de popa. Pelo menos terminara a tarefa. Iria até a cabine lavar-se com uma toalha molhada, trocar de roupa e talvez cochilar um pouco.” p. 50.
Quando a vida de Ephron, pai de Althea e patriarca da família está por um fio, ele declara que o seu genro Kyle Porto terá o controle de Vivácia e será o próximo capitão do navio. Porém, ele não é um Vestrit de sangue e somente membros de sangue da família podem comandar o navio, para isso, ele resolve buscar por meio da força bruta o seu filho Wintrow, retirando-o da vida de sacerdócio, forçando-o a ficar no navio. Porém, isso é um perigo, pois Kyle não entende que a relação com uma navio-vivo deve ser harmoniosa e construída de boa-fé. Por ser considerado pequeno e frágil, Wintrow é desprezado, ele enfrenta dificuldades e também a maldade dos outros tripulantes, incluindo a do próprio pai que demonstra ser um homem cruel e ganancioso.
“O navio-vivo estava sofrendo, lutando contra a necessidade de estar na companhia de Wintrow, forçando-se a permanecer num isolamento gélido e cinzento como neblina […]” p. 255.
Essa decisão na mudança do comando abala profundamente Althea, ela fica com o coração quebrado e fica arrasada, a jovem acredita que foi uma grande traição colocar Kyle no comando. Para piorar toda a situação, Althea descobre que a própria irmã Keffria e a sua mãe Ronica são as responsáveis pela mudança no poder, pela ascensão de Kyle no comando do navio. Frustrada, Althea resolve abandonar a família e decide ir embora, em busca do seu próprio caminho para que possa conseguir comandar Vivácia algum dia.
Opinião: O Navio Arcano foi um dos mais importantes lançamentos do segundo semestre de 2017 e faz jus à expectativa que foi gerada em torno de si. Apresentando um ritmo cadenciado e sem muitas reviravoltas, a autora constrói aos poucos um universo fabuloso com batalhas, piratas e magia. A autora criou uma trama profunda e rica em detalhes, como por exemplo as terminologias e situações em alto mar. Toda essa história ocorre em um período de dois anos e em meio aos diversos acontecimentos, a autora abre espaço para levantar uma questão importante, a escravidão e o quanto influencia no comportamento das pessoas que estão diretamente ligados a essa prática.
Sobre a Edição: A Editora Leya está de parabéns pelo projeto gráfico apresentado, a capa é linda e está de acordo com o contexto da história, a diagramação ficou muito boa, as folhas são amareladas e a fonte segue o padrão de outras edições da Leya. A revisão ficou muito boa, assim como o espaçamento.






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