Molly aprendeu desde cedo que podemos perder a qualquer hora as pessoas que amamos. Sua mãe morrera dando à luz a ela. Seu pai perdera a vida quando ela tinha apenas seis anos e sua avó falecera quando a jovem completara quatorze anos e vivera em vários lares até se libertar do fardo de ser órfã, até que foi abraçada e amada por sua tutora, a professora Suzy. Molly é uma jovem forte mesmo com apenas vinte anos, porém tem um comportamento de “rato assustado” quando sente-se dependente de outra pessoa. Quando ela se apaixona, ela prefere fugir, do que esperar que a vida tire a mesma de sua existência.
Rome é um personagem que simplesmente detestei. Ele é lindo como qualquer homem dos livros desse gênero, porém teve a infelicidade de cair nas mãos de uma autora que perdeu o tato em sua construção psicológica.Ele é aparentemente forte, mas só parece. Em seu íntimo é um caos misturado com uma guerra, porque sua estrutura familiar é horripilante e desnecessária. Ele é oriundo de uma família que vive de status quo e quer vê-lo casado com uma megera loira que inferniza a vida dele a todo instante.
Não sei o que a Tillie imaginava quando escreveu esse livro. Ela deve ser projetado uma Molly independente e segura de si e um Rome com suas crises existenciais, mas não conseguiu seguir coerentemente com esse propósito, porque o Rome é desequilibrado, possessivo e inseguro SEMPRE. Tudo dele é Molly aqui e ali. Sei que ele teve um passado bem conturbado, todavia isso não justifica um comportamento de “predador das cavernas”. Problemas de agressividades oriundos de traumas de infância se resolvem com terapia e acompanhamento psicológico e não com uma “santa que se acha feia, mas é linda na verdade., além da relação dele girar mais em torno do sexo do que o emocional.
” – Você simplesmente é. Você traz paz ao meu mundo completamente fodido. Você me entende; ninguém nunca me entendeu antes. Simples assim.” p. 104.
Não sei se nos EUA é normal as mulheres seguirem a crença que devem ser as únicas a lutarem pelos relacionamentos e principalmente, “salvarem” seus parceiros de seus “fantasmas” perturbadores, mas o que mais se debate atualmente é essa inverdade que as mulheres são “salvadoras, imaculadas e milagrosas”. Não tem cabimento uma mulher inteligente e promissora se envolver com um homem que nem sabe enfrentar a si mesmo. Alguns leitores podem discordar da minha visão, porém banalizar relacionamento abusivo e ainda o encarar como um “desafio” para as mulheres é ridículo.
Os personagens coadjuvantes como os amigos de Rome e as amigas de Molly são bem trabalhados e cativantes, porque não seguem esterótipos. Eles são desconstruídos e seguros de si sem medo de ser humanos e tem mais química do que essa nova versão de Romeu e Julieta. Doce Lar é um livro que serve como entretenimento, porém não espere mais que isso e continue a série, porque os demais são surpreendentes.
Sobre a Edição: A capa do livro corresponde ao entrelaçamento mais profundo de Molly e Rome lá no final do livro e o título se encaixa bem com a visão de Molly sob o namorado e o que eles enfrentam com alguns acontecimentos dramáticos no livro. A narração é totalmente feita por Molly, mas no final do livro ganhamos um capítulo narrado por Rome. A fonte e as folhas usadas são confortáveis para qualquer leitor.
Sobre a Autora: Tillie Cole nasceu em Teesside, na Grã-Bretanha, filha de uma mãe inglesa e um pai escocês. Graduada na Universidade de Newcastle, ela foi professora por sete anos antes de se mudar com o marido para o Canadá. Escreve romances contemporâneos – como sua série de maior sucesso, Sweet. Mil Beijos de Garoto é sua estreia no gênero jovem adulto.


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