Título: O Horror da Guerra
Autor: Niall Ferguson
Tradução: Janaína Marcoantonio
Editora: Crítica
Páginas: 768
Ano: 2018
ISBN: 9788542213737
Onde Comprar: Amazon – Saraiva
Sinopse: A Primeira Guerra Mundial matou cerca de oito milhões de homens e
destruiu as finanças da Europa. Mas o que o historiador Niall Ferguson
se pergunta neste livro provocador é: será que todo esse sacrifício
valeu a pena? Será que foi tudo uma tragédia inevitável?Em ‘O horror da
guerra’, Ferguson faz uma profunda e inteligente análise sobre o
conflito que assolou a Europa e o mundo entre 1914 e 1918, abordando
questões como os reais motivos que deflagraram a guerra, a reação da
população dos países envolvidos, as condições em que os soldados lutavam
e o processo de formação da Entente e da Aliança. O que o autor por
fim nos leva a pensar é que essa guerra foi muito mais do que uma
tragédia foi o maior erro da história moderna.
“John Gilmour Ferguson acabara de fazer 16 anos quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu. O sargento recrutador acreditou nele – ou escolhera acreditar – quando ele mentiu sobre a idade, mas, antes que pudesse concluir as formalidades do alistamento, sua mãe chegou e o arrastou para casa […]” p. 17.
Ao longo da leitura percebemos por meio de documentos que os anos que antecederam o início de conflito bélico foram marcados por um descréscimo do militarismo, pois não havia uma tendência de se fortalecer as forças armadas, não havia sistemas políticos predominantemente militares e os pacifistas internacionais estavam ganhando voz, notoriedade e influência mundo afora. A própria Alemanha, uma das grandes potências da primeira guerra era o país considerado por todos o mais militarista do continente europeu, ainda assim investia menos no setor que França ou Rússia, países considerados rivais.
É nesse cenário envolvendo grandes países europeus que conhecemos as disputas entre elas e ainda assim essas disputas estavam sendo amenizadas e resolvidas aos poucos por meio da diplomacia, ou seja, existia um caminho natural para a paz e uma relativa harmonia. Antes mesmo do caos ser deflagrado pelo continente, vemos que as relações entre Alemanha e Grã-Bretanha, duas das maiores potências do período, eram muito boas, ao tempo que o Segundo Reich não era considerado um perigo real para o grande Império Britânico.
“Os alemães enfrentavam uma desvantagem similar em terra, sobretudo depois que a aliança franco-russo foi consolidada. Mesmo antes disso, a experiência de uma resistência francesa desesperada depois da derrota em Sedan em 1870 havia persuadido Helmuth Karl Bernhard von Moltke, o “jovem Moltke”, de que, no caso de uma guerra contra ambas as potências, a Alemanha “não poderia esperar se livrar rapidamente de um inimigo por meio de uma ofensiva breve e bem-sucedida, o que deixaria livre para lidar com outro inimigo”.” p. 171.
Opinião: Niall Ferguson em “O Horror da Guerra” leva ao leitor um livro riquíssimo em detalhes e documentos do primeiro e grande conflito bélico do século XIX, a Primeira Guerra Mundial. O autor examina sete importantes questões historiográficas dessa guerra e faz uso dos cenários contrafactuais, mas também das decisões que foram tomadas e moldaram a guerra e os destinos dos países envolvidos ao longo desses quatro anos. Niall faz uma releitura, interpreta os fatos com o objetivo de suscitar cenários alternativos, como uma possível Primeira Guerra Fria caso essa Primeira Guerra não tivesse de fato ocorrido.
O autor também demonstra alternativas reais para que a Grã-Bretanha, caso não tivesse participado dessa guerra, algo que era plenamente possível de ter acontecido. Ferguson em sua visão interpretativa não foca na sucessão de fatos originadas com o assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria-Hungria, fato esse que foi crucial para o desencadeamento da guerra. Outro aspecto interessante suscitado por Ferguson é que a Alemanhã foi capaz não só de matar mais soldados durante o conflito, mas também foi capaz de fazer isso de forma mais barata que os seus adversários. Estima-se que a Tríplice Entente perdeu cerca de 5 milhões de soldados e 6 milhões de civis, enquanto que a Tríplice Aliança (Alemanha, Aústria-Hungria e Império Otomano) perderam cerca de 4 milhões de soldados e 4 milhões de civis.
O Horror da Guerra é um livro que recomendo para quem quer expandir o conhecimento que já possui sobre a Primeira Guerra Mundial, aqui existe um claro aprofundamente do autor em aspectos culturais, financeiros, políticos, sociais e militares, ou seja, esse é um livro que vai além da guerra propriamente dita, trata-se de um ensaio analítico. Niall Ferguson apresenta ao leitor um livro necessário e fundamental para conhecermos os horrores que o ser humano é capaz de cometer, é um livro que foge das argumentações simplórias e que faz um exame sobre as motivações que levaram os homens a levantar as armas. O Horror da Guerra é simplesmente um livro fascinante e claramente IMPERDÍVEL.
Sobre a Edição: A editora Crítica escolheu o formato em capa dura para O Horror da Guerra e com um capa que chama bastante atenção. A edição vem com folhas amareladas, fonte confortável e diversas imagens ao longo do livro. Essa é realmente uma edição muito robusta e extremamente bem feita pela editora. Agradeço imensamente ao Grupo Planeta por me proporcionar uma imersão e grande leitura sobre a Primeira Guerra Mundial.
Sobre o Autor: Niall Ferguson é um dos mais renomados historiadores do Reino Unido. Ele leciona na Harvard University, na Oxford University e na Stanford University. O autor também escreve regularmente para jornais e revistas do mundo inteiro. Ele escreveu e apresentou quatro séries de documentários de grande sucesso no Channel 4: Empire, American Colossus, The War of the World e, mais recentemente, The Ascent of Money [A Ascensão do Dinheiro] e Império. Ele, sua mulher e três filhos dividem seu tempo entre o Reino Unido e os Estados Unidos.







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