Editora: Coleções Folha (Folha de S. Paulo)
Páginas: 392
“Algum tempo hesitei se devia abrir estas Memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte.” p. 11
O garoto tinha como brinquedo o negrinho Prudência, que lhe servia de montaria e também para maus-tratos em geral. Na escola era muito amigo de Quincas Borba, seu companheiro de traquinagens. Durante a sua infância ele descobre e revela o romance secreto entre dona Eusébia e o Dr. Vilaça, algo que só faz jus ao seu apelido.
“Naquele dia, a árvore dos Cubas brotou uma graciosa flor. Nasci; recebeu-me nos braços a Pascoela, insigne parteira minhota, que se gabava de ter aberto a porta do mundo a uma geração inteira de fidalgos.” p. 41.
Ao chegar à vida adulta, Brás conhece uma jovem muito bela chamada Marcela, acaba se apaixonando por ela, porém ela é uma prostituta de luxo e por causa desse relacionamento, ele chega próximo de levar sua família para a falência. Seu pai, tomando conhecimento dos gastos do filho com a prostituta, acaba obrigando ele a se mudar, dessa forma o jovem Brás vai para Lisboa, onde deverá morar e estudar, para que possa se tornar um bacharel em Direito.
“Vaguei pelas ruas e recolhi-me às nove horas. Não podendo dormir, atirei-me a ler e escrever. Às onze horas estava arrependido de não ter ido ao teatro, consultei o relógio, quis vestir-me, e sair.” p. 181
Em Portugal, Brás instala-se em Coimbra, estudando Direito e após alguns anos bacharelando no curso, com isso, ele acaba retornando ao Rio de Janeiro, após pedidos do seu pai, pois sua mãe encontra-se com a saúde debilitada. Em sua volta, diversos encontros e reencontros acabam acontecendo, sendo que algumas coisas ele não esperava que acontecesse, como ingressar na carreira política.
Opinião: A obra Memórias Póstumas de Brás Cubas é de extrema importância na literatura nacional e talvez a mais importante de Machado de Assis, aborda diversos fatores como o adultério, prostituição, escravidão, preconceito, ambição, inveja, alegria e tristeza.
Outro aspecto para ressaltar é a narrativa feita em primeira pessoa, onde Brás Cubas, já morto, começa a relatar sua vida pelo seu óbito e não pelo nascimento, mostrando ao leitor sua vida e o seu nascimento. Diante dessa situação, o narrador aproveita-se para falar de tudo e todos, sem nenhum pudor ou culpa.
O livro de Machado tem uma forte pegada filosófica e pessimista, nela o leitor precisa estar atento para as alusões e citações inseridas no texto. Essa é uma obra com vocabulário característico de época, no início poderá criar dificuldades ao leitor, mas com o decorrer da leitura, vai fluindo, a leitura vai ficando mais fácil de ser compreendida e também divertida.
Esse é o 18º volume da coleção Grandes Nomes da Literatura, é publicado pela Coleções Folha, que mantém seu alto padrão de qualidade e com capa dura, diagramação muito boa. Recomendo a leitura para quem gosta de literatura nacional e principalmente para os jovens que vão prestar Enem e Vestibulares.
Por Mayara Frossard





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